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O número de pessoas com sobrepeso e obesidade vem aumentando no mundo inteiro, em taxas alarmantes . Houve um aumento de até 50% na prevalência de sobrepeso e obesidade , entre a década de 80 e os dias atuais.
Estima-se que cerca de 40% dos indivíduos adultos do país apresentam excesso de peso ( índice de massa corporal ou IMC, acima de 25kg/m2) e que 8,9% dos homens e 13,1% das mulheres apresentam obesidade, sendo que a prevalência tende a aumentar com a idade. A gravidade da obesidade pode ser caracterizada em graus: obesidade grau 1 ( IMC 30-34,9 kg/m2 ) , obesidade grau 2 ( IMC 35-39,9 kg/m2 ) e obesidade grau 3 ( IMC ≥ 40 kg/m2 ).
As cirurgias em obesos ( inclusive as cirurgias bariátricas , visando tratar a doença ) apresentam riscos peculiares à essa condição. Cuidados médicos adicionais , deverão ser dispensados aos obesos que serão submetidos aos diversos procedimentos cirúrgicos.
Particularidades do risco cirúrgico associado à obesidade:
- Quanto maior o grau de obesidade, maior o risco cirúrgico, principalmente em relação ao sistema respiratório e cardiovascular.
- Nos obesos , há dificuldade no estabelecimento do risco cirúrgico , porque o exame físico é precário pela obesidade ( o tecido gorduroso , dificulta a percepção de certos sinais de doença , durante o exame físico ).
- A história clínica pode subestimar os sintomas ( pela grande inatividade desses pacientes ) e o risco cirúrgico, especialmente nos obesos graus 2 e 3.
- Os escores ( questionários aplicados pelos médicos ) para avaliação de risco cirúrgico , não incluem a obesidade como um fator de risco cirúrgico independente.
- A intubação do obeso em geral é difícil.
- Ocorre hipoxemia ( queda da oxigenação do sangue ) por hipoventilação ( respiração mais fraca ), restrição pulmonar, atelectasia ( colabamento de pequenas vias aéreas ) no pós-operatório e apnéia obstrutiva do sono ( pausas respiratórias durante o sono ).
- Existe um risco maior de aspiração do conteúdo do estômago para os pulmões.
- Pode haver descompensação de uma insuficiência cardíaca ( coração fraco ) , não diagnosticada anteriormente . Pode ocorrer ainda , uma precipitação de isquemia miocárdica ( angina instável ou infarto do miocárdio ).
- Há um maior risco de eventos tromboembólicos ( formação de coágulos nas veias das pernas, podendo causar uma embolia pulmonar ).
- Há dificuldade na medida da pressão arterial e obtenção de acesso venoso ( para infusão de soros ou medicamentos ).
- Maior sensibilidade à opióides ( analgésicos mais potentes ) e sedativos.
- Maior risco de infecção na ferida cirúrgica.
- Risco inerente às doenças associadas à obesidade : hipertensão arterial , diabete melito , doenças cardiovasculares , etc...
Cuidados antes da cirurgia:
- Avaliação médica e realização de exames complementares mínimos, incluindo um eletrocardiograma . Exames adicionais poderão ser solicitados de acordo com o quadro clínico de cada paciente e o porte da cirurgia.
- Cessação do tabagismo seis semanas antes da cirurgia.
- Fisioterapia respiratória.
- Se houver apnéia do sono documentada por polissonografia , considerar a instalação de CPAP no pré-operatório ( máscara que injeta ar para as vias aéreas sob pressão ) nos pacientes que não fazem uso e não descontinuar os que já usam .
Cuidados no pós-operatório:
- CPAP em casos de diagnóstico de apnéia do sono documentada.
- Monitorização não invasiva de oximetria ( avaliação do nível de oxigenação no sangue ) em pacientes com hipoxemia no pré e intra-operatório e com suspeita de doenças das vias áereas e pulmonares (apnéia do sono ou hipoventilação).
- Cuidados pós-operatórios em UTI para pacientes de alto risco devido a doenças associadas, que tiveram falência na extubação pós-operatória ( não voltaram a respirar adequadamente após a retirada do tubo para respiração ), sofreram complicações no intra-operatório ou para superobesos (IMC>70).
- Manutenção de normovolemia ( volume de líquidos circulantes no corpo ).
- Oximetria não invasiva contínua durante recuperação anestésica .
- Mensuração após recuperação da anestesia (se normal não precisa repetir) e medida contínua durante o sono (em intervenções de porte intermediário a alto ) .
- Fisioterapia respiratória para todos submetidos à cirurgias de porte intermediário a alto.
- Profilaxia ( prevenção ) para trombose venosa : deambulação ( movimentação das pernas ) precoce e profilaxia medicamentosa com heparina de baixo peso molecular e não fracionada em doses habituais ( anticoagulantes ).
Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia ( 2006 ).
www.portaldocoracao.com.br
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