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Considera-se hipertensão na gravidez quando o nível da pressão arterial habitual for maior ou igual a 140/90 mmHg. Duas formas de hipertensão podem complicar a gravidez : hipertensão arterial prévia à gravidez ( crônica ) e hipertensão arterial induzida pela gravidez ( pré-eclâmpsia e eclâmpsia), podendo essas formas ocorrerem isoladamente ou de forma associada. A hipertensão arterial crônica corresponde a hipertensão de qualquer causa , presente antes da gravidez ou diagnosticada até a vigésima semana da gestação.
As mulheres com pressão arterial superior a 159/99 mmHg devem receber tratamento medicamentoso. Gestantes com pressão arterial inferior a 159/99 mmHg e/ou portadoras de diabetes melito, obesidade, gravidez gemelar, nulíparas, idade superior a 40 anos e antecedentes pessoais ou familiares de pré-eclâmpsia merecem avaliação periódica em razão da possibilidade de uma rápida elevação da pressão ou surgimento de proteinúria ( perda urinária de proteína ) e podem receber tratamento medicamentoso com valores mais baixos, entre 120/80 e 159/99 mmHg, visando à proteção da mãe e do feto .
Pacientes sob anti-hipertensivos podem ter a medicação reduzida ou suspensa em virtude da hipotensão. A alfametildopa é a droga preferida por ser a mais bem estudada e não haver evidência de efeitos nocivos para o feto. Opções aditivas ou alternativas incluem: betabloqueadores (ex: propranolol , atenolol, etc... ) , mas que podem estar associados a restrição do crescimento do feto , bloqueadores de canais de cálcio ( ex: nifedipino , anlodipino ,etc... ) e os diuréticos. Os inibidores da ECA (ex : captopril , enalapril,etc... ) e os bloqueadores do receptor AT1 ( ex: losartan , valsartan,etc... ) são contra-indicados durante a gravidez.
Pré-eclâmpsia e a eclâmpsia :
Estas doenças ocorrem geralmente após 20 semanas de gestação. Caracterizam-se pelo desenvolvimento gradual de hipertensão arterial e proteinúria ( perda urinária de proteína ) . No quadro de eclâmpsia , ocorrem convulsões que podem ser fatais. A interrupção da gestação é o tratamento definitivo na pré-eclâmpsia e deve ser considerado em todos os casos com maturidade pulmonar fetal assegurada.
Se não houver maturidade pulmonar fetal pode-se tentar prolongar a gravidez, mas a interrupção deve ser indicada se houver um agravamento do quadro da mãe ou do fetal. A hipertensão arterial grave é freqüentemente tratada com um vasodilatador ( hidralazina ) endovenoso . O nifedipino tem sido também utilizado , entretanto , sua associação com o sulfato de magnésio, droga de escolha no tratamento e, possivelmente, na prevenção da convulsão eclâmptica, pode provocar queda súbita e intensa da pressão arterial.
O ácido acetilsalicílico em baixas doses tem pequeno efeito na prevenção da pré-eclâmpsia , enquanto a suplementação oral de cálcio em pacientes de alto risco e com baixa ingestão de cálcio parece reduzir a incidência de pré-eclâmpsia.
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