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Nos Estados Unidos , a morte cardíaca súbita ocorre em cerca de 300.000 a 400.000 pacientes anualmente . A principal causa da morte súbita é uma arritmia cardíaca , a chamada de fibrilação ventricular .
Na maioria dos casos, a morte súbita ocorre devido ao início abrupto de uma taquicardia ventricular , uma arritmia grave originada nos ventrículos (câmaras cardíacas maiores e inferiores). Esta arritmia pode persistir ou progredir para uma fibrilação ventricular. Nesta última , o coração não bate adequadamente , apenas " tremula " . Esta parada da função cardíaca , leva a uma perda da consciência , desmaio e morte .
O risco de morrer após uma parada cardíaca fora do hospital é muito alta, devido principalmente à demora em promover um tratamento efetivo aos indivíduos afetados. Concebido por Mirowski , o desfibrilador automático implantável , foi desenvolvido com o objetivo de tratar as arritmias cardíacas que potencialmente levem a uma parada cardíaca.
Este equipamento , identifica e trata imediatamente estas arrimias com um choque elétrico ( desfibrilação ou cardioversão ) . O seu uso na população foi aprovado a partir do ano de 1985. Indivíduos com doença cardíaca grave que evoluem com estas arritmias graves , ou mesmo aqueles sobreviventes a uma parada cardíaca , são candidatos ao uso do desfibrilador implantável.
Exames prévios:
Alguns exames complementares , poderão ser necessários antes do implante , na dependência do quadro clínico de cada paciente. Ecocardiograma , Holter e estudo eletrofisiológico, poderão ser solicitados.
Orientações antes do implante do desfibrilador:
É necessário jejum de 6 horas. O desfibrilador será implantado no centro cirúrgico ou no laboratório de hemodinâmica ( local aonde realizam-se os exames de cateterismo cardíaco ).Medicações de uso habitual não costumam ser suspensas , com exceção dos anticoagulantes , por aumentarem os riscos de sangramentos. O uso de antibióticos preventivos é recomendada. O implante é realizado sob monitorização contínua da pressão arterial , eletrocardiograma e oximetria ( avaliação do nível de oxigenação no sangue ).
É realizada uma anestesia local com sedação ou uma anestesia geral. O gerador do desfibrilador poderá ser implantado na região peitoral ( tórax ) ou no abdômen. O cabo-eletrodo ( em número de um até quatro ), que entrará em contato com o coração ( identificando e tratando a arritmia cardíaca ) , é introduzido através de uma veia.
Após o implante do desfibrilador automático , realizamos um eletrocardiograma e exame de raio X do tórax. O paciente permanece internado por pelo menos 24 horas após o implante.
Indicações:
- Prevenção primária ( para evitar a parada cardíaca e morte súbita ) em pacientes com cardiopatia estrutural :
Em pacientes após infarto do miocárdio ( mais de 40 dias ) ou com cardiopatia isquêmica crônica , sem isquemia passível de tratamento por angioplastia ou cirurgia de ponte de safena , com tratamento medicamentoso adequado , que apresentem uma redução importante da capacidade de contração do coração ( fração de ejeção no ecocardiograma inferior a 35% ) , com ou sem taquicardia ventricular ( espontânea ou induzida no estudo eletrofisiológico ).
Em pacientes com cardiopatia dilatada não-isquêmica , com tratamento medicamentoso adequado, com sintomas de falta de ar e redução importante da capacidade de contração do coração ( fração de ejeção no ecocardiograma inferior a 35% ).
Os pacientes com bloqueio do ramo esquerdo , com complexo QRS maior que 0,12 segundos , poderão ser encaminhados para um implante de desfibrilador automático e marcapasso cardíaco ( terapia de ressincronização cardíaca , para melhorar a insuficiência cardíaca ).
- Prevenção secundária ( pacientes que já apresentaram uma arritmia cardíaca grave , com ou sem , parada cardíaca ) com cardiopatia estrutural:
Em pacientes que tiveram taquicardia ventricular , parada cardíaca ( por taquicardia ventricular ou fibrilação ventricular ) , síncope ( desmaio por taquicardia ventricular ) , que apresentem uma redução da capacidade de contração do coração ( fração de ejeção no ecocardiograma inferior a 35% ).
- Outras indicações:
Casos selecionados de taquicardia ventricular polimórfica sem doença estrutural , síndrome do intervalo QT longo congênito , miocardiopatia hipertófica , síndrome de Brugada e displasia arritmogênica do ventrículo direito.
Riscos e complicações:
As complicações mais freqüentes após o implante de um desfibrilador autromático são : o pneumotórax e hemotórax , que são , respectivamente , acúmulo de ar e sangue no espaço pleural ( membrana que envolve os pulmões ); hematomas ; arritmias cardíacas ; infecções ; deslocamento do cabo-eletrodo e perda da sensibilidade ou comando do gerador ( esta últimas complicações afetam o funcionamento deste dispositivo ) . Poderão ocorrer choques desnecessários ( inapropriados ). O risco de morte , relacionada ao implante do desfibrilador é baixo.
Acompanhamento após o implante do desfibrilador:
A periodicidade das avaliações deve ser a seguinte: no momento da alta hospitalar, 30 dias pós-implante, a cada 3 ou 6 meses, dependendo do tipo de estimulação e condição clínica, ou quando necessário, por intercorrências. A avaliação clínica básica deve constar de consulta clínica e realização de eletrocardiograma.
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